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Índia _ Anjuna Beach, um pequeno paraíso na Terra

Friday, January 9th, 2009

Anjuna Beach (Goa), 7 Janeiro 2009
Praia, por-do-sol : 18h30

Escrevo-vos da praia de Anjuna, muito conhecida pelos hippies que alberga e as festas. Tem agora mais fama do que realmente é, a ocupação pelos hippies foi por volta de 1970 e agora é mais uma zona turística com algumas festas e um grande mercado.
Vim para Anjuna para relaxar, antes de partir para o norte, para o Rajastão. E digo-vos, que não existe melhor lugar para o fazer. A praia, é um paraíso. Coqueiros atropelam-se para chegar à agua, cabanas desde uma ponta da baía à outra, muitos restaurantes com música trance, chill out, esplanadas, puffs, grandes peixes a serem grelhados, imensos europeus e americanos (5 caras brancas por cada uma indiana). A temperatura é quente, mas agradável, o sol não queima. Neste preciso momento, o sol pos-se, e o momento é vivido intensamente. Olho à minha volta: uma praia paradisíaca, uma brisa de final de tarde bem quente e relaxante, um mar calmo que vai e vem e por vezes me ultrapassa a espreguiçadeira, um pouco mais distante (pois eu mantenho-me distante) pessoas dançam na areia, outros fazem uma espécie de veneração ao lindíssimo por-do-sol, começam a ser acendidas velas pela praia e alguns balões de fogo são lançados no ar. Para quem já viu o filme “A Praia”, é uma visão muito similar [ver video] [ver fotografias]. Mais que pelos hippies, Anjuna é conhecida pelo seu mercado semanal. Gentes de vários pontos da Índia e não só, fazem um enormíssimo mercado com uma enorme variedade de coisas. Tudo se vende. Além de indianos a vender, vi também europeus, nepalenses, japoneses e coreanos, hippies e mulheres tribais de Lamani, viajantes de todo mundo, tibetanos e mercadores de Caxemira, talvez ainda mais asiáticos de outras nacionalidades. Quem vem a Goa, tem que incluír este mercado na sua experiência. Além de sumos naturais, nada comprei, mesmo apesar de ser abordado de minuto em minuto para o fazer. Mas percorri todo o mercado, e vontade não me faltou, mas não me posso esquecer que ainda tenho um longo caminho a percorrer, não posso encher a mochila, e acredito que no Rajastão vá encontrar melhor por melhores preços.
Fiz uma amiga, chama-se Susan [ver fotografias]. Ontem passou o dia inteiro a querer levar-me à sua loja e hoje tentou o mesmo mas logo depois acabou desistindo. Terá ganho algum interesse por mim, quando não tinha clientes vinha-se sentar comigo, fazia-me perguntas e ainda me pediu para lhe pagar uma omolete e um chai. Começou por pedir a mais cara, eu lá fui negociando com ela e consegui que ela aceitasse a mais barata, 60 centimos (a comida não é muito barata em Anjuna).
Susan é de Hampi, de um estado aqui ao lado de Goa, Karnataka. Está com o pai, a irmã e marido da irmã. O pai tem uma loja na praia de roupa e ela tem a sua pequena lojinha de joalharia. Deverá ter uns 14 anos e usa a pinta vermelha na testa, perguntei-lhe se era casada – ela respondeu-me que só usava por ser fashion. Fiz-lhe alguns retratos e amanhã deverei voltar a tê-la como companhia.
Na praia, por entre os turistas, várias vacas ou gnus, os mais raros indianos a tentar ganhar dinheiro ora a dançar, ou pela forma como se vestem, ora a fazer acrobacias com um gnu ou a tocarem flauta. Não conheci nenhum branco pois estou propositadamente um pouco à parte e só, limito-me a viver e a observar, mas ainda houve alguns que me perguntaram de onde vinha, por quanto tempo ficava, não me cativaram as raves e os convites, embora vos diga que 80% das mulheres estrangeiras aqui presentes são lindíssimas… e cativam. Em muitas é bem visível que já cá estão faz muito tempo, vestem-se de forma tribal, estão muito morenas e embora magras, aparentam todas serem muito saudáveis. É dos ares, e da falta de stress, e o mar e praia fazem bem. Praia, uma cabana, peixe grelhado e sumos naturais, o que é preciso mais?

Clicar na fotografia abaixo para ver as restantes:

Praia de Anjuna

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Vídeos do dia:


Primeiros minutos na praia de Anjuna from Hugo Lima on Vimeo.


Anjuna Beach à noite from Hugo Lima on Vimeo.


Anjuna Beach from Hugo Lima on Vimeo.


Bicharada da minha janela from Hugo Lima on Vimeo.

Índia _ Um Domingo em Mumbai

Friday, January 9th, 2009

Mumbai, 5 Janeiro 2009
Casa do Wasseem : 6h

Ontem, foi Domingo, e o trânsito em Mumbai parou, excepto os comboios.
Fui apanhar o comboio na estação de Bandra, e vi o que não havia visto de noite. De um lado da estação, casas por entre esgotos e lixo, crianças e adultos caminham por entre o lixo, a enorme estação decadente e visível em toda a sua extensão. [ver fotografias]
Apanhar um comboio, pelo menos em Mumbai, é uma aventura.
Queria escrever e pensei: “escrevo no comboio”. Mal sabia o que me esperava. Quando o meu comboio chegou, vinha com várias pessoas do lado de fora, penduradas em cada uma das entradas. E quando essas pessoas não saem e estão umas 500 para entrar? É empurrar empurrar empurrar.

Ao chegar a Colaba liguei ao Nenden, falou-me para nos encontrar-mos na Universidade de Mumbai. Quando cheguei, dezenas de pessoas jogavam Criquet [ver fotografias] [ver video]. O criquet na índia está a tornar-se em um dos seus mais importantes desportos e prestes a ultrapassar os ingleses! Existiam várias áreas no campo da universidade, jogadores profissionais, semi profissionais e amadores. O Nenden tem 31 anos embora não o aparente, nenhum hindu o aparenta, talvez seja a filosofia deles, não se preocupam com nada. Falou-me do criquet e dos seus sonhos. Adora conhecer estrangeiros e conhecer histórias. Coleccionou tantas histórias que sabe os melhores negócios e como vencer na vida. Tem o caminho dele idealizado, quer ir para a europa e tem-se preparado para isso. Aos 15 anos deixou Udaipur, a sua terra natal, e viajou por toda a Índia, deu-me várias dicas de onde ir e onde ficar e os preços que deverei regatear. Levou-me a restaurantes baratos dos locais e apresentou-me aos amigos, falou-me de deuses e religiões. Fez-me uma lista de locais que deveria visitar durante a tarde e assim o fiz. Apanhei um bus para um dos pontos mais altos da cidade e fui ao Hanguing Garden, dos mais bonitos e cuidados jardins da cidade [ver fotografias]. Famíias ricas passeavam, uma deles veio-me conhecer e fazer perguntas sobre mim, desci pelas ruas da cidade até à praia. Chowpatti Beach era o seu nome [ver fotografias]. Pelo lado que entrei, a praia era degradante, um esgoto ia dar às suas águas, e nesse lugar, crianças tomavam banho. Casas de plástico acumulavam-se, pombas águias falcões corvos, todos se misturavam, fui percorrendo a praia e fui-me tornando o centro das atenções. Fiz uma caminhada muito calma, a passo lento, demorava, observava, trocava sorrisos, sentava-me com quem mostrava interesse, tinha conversas, faziam-me muitas perguntas. A praia estava cheia, na parte onde me encontrava já não se via pobreza, muitas famílias sentavam e conviviam, grupos de curiosos vêm ter comigo, fazem-me perguntas, pedem-me o nr. de telefone, não acertam nunca no meu nome. Fez-me lembrar um pouco os extintos passeios de Domingo em família, em que irmãos primos e tias se reuniam e conviviam.
Na última metade da praia, as famílias eram notavelmente mais ricas e a praia mais limpa, não havia misturas com gente pobre, não percebi onde estava o limite nem o que o definia, mas aparentemente era respeitado. Caminhei pela marginal da praia mais uns 5 Km, estava cheia de famílias a contemplar o por-do-sol enquanto que as ruas estavam estranhamente calmas, é Domingo…
Ligo ao Nenden e vou ter com ele, ele leva-me a um restaurante que serve um manjar dos deuses, vários tipos de peixe acompanhado por duas Kingerfish de 1 litro (Kingerfish é das melhores e a mais conhecida cerveja na Índia). O jantar custou-me uns 8 eur, dava para jantar umas 5 vezes, digo a mim mesmo que não voltará a acontecer e sigo apanhar o comboio para casa. 9 centimos viagem de comboio de 1 hora, agora sim, viver a Índia.
Algo curioso acontece nessa viagem, em uma das paragens, entra um travesti que começa a bater palmas a cada um dos presentes e em resposta recebe um sinal por cada uma das pessoas. Eu ignorei-o(a) e ele(a) proferiu algo, não ficou lá muito contente. Mais tarde fui pesquisar no meu livro e percebi que na religião hindu, os travesti assim como os eunucos, pertencem a uma casta chamada de Hijras, Alguns são gays, alguns hemafroditas, e alguns são uns desafortunados que foram raptados e castrados. Consideram-se uns previligiados e são aceites na sociedade como um terceiro sexo. Li também algures que lhes dão dinheiro pois dar dinheiro a Hijras traz boa sorte aos filhos.
Desta vez não fui a pé da estação de Bandra, precisava chegar cedo pois supostamente o Wassem estaria em casa. Mas não estava. Estive 4 dias em casa do Wasseem, ele não me conhece, nunca nos vimos, apenas falamos por email, deu-me a chave de casa e nunca mais me disse nada. Obrigado Wasseem. Não voltarei certamente a ter condições destas na minha viagem. Deixei-lhe uma garrafa de azeite extra virgem e uma outra de vinho do Porto, como sinal de agradecimento.

Clicar na fotografia abaixo para ver as restantes:

Crianças pobres residentes na praia de Chowpatti Beach

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Vídeos do dia:


Criquet na Mumbai Univercity from Hugo Lima on Vimeo.


Chowpatty Beach – Mumbai from Hugo Lima on Vimeo.