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Índia _ Arambol e um por do sol de encantar

Thursday, January 29th, 2009

Arambol (Goa), 10 de Janeiro 2009
Praia, ao luar da lua cheia : 21h00

Anjuna é extremamente perigosa para quem planeia uma viagem pela Índia. Aliás, toda a Goa o é.
Nestes últimos dias, foram vários os bagpackers que conheci e que aqui ganharam raízes, ficaram uma semana, duas, três… tem quem aqui esteja faz meses. É muito fácil habituar-se a esta vida e muito difícil deixá-la. Praia paradisíaca, boa comida e saudável, muita fruta e sumos naturais, festas e finais de tarde de encantar.
Era suposto já cá não estar, havia comprado bilhete de comboio para partir no Sábado, fui alterá-lo para partir na Segunda ao final de tarde. Vai custar muito deixar este belo lugar, mas neste lugar o tempo não pára e o meu é pouco e já só tenho metade.
Tenho conhecido vários viajantes, Anjuna é um ponto de paragem para a maioria deles, as perguntas que por aqui mais rolam são: “Estás na Índia faz quanto tempo?”; “Quanto tempo vais ficar?”, “De onde és?”. Acreditem ou não, de todos os que conheci, sou eu quem menos tempo de viagem terá. 1 mês é realmente muito pouco para algo deste dimensão, uns estão cá desde Agosto, Abril… estão pela segunda, terceira vez…

Adoptei duas meninas, a Susan (que na verdade chama-se algo como Sharow mas gosta de ter nome estrangeiro), e a Kirina, sua irmã [ver fotografias]. A Susan não sabe a idade que tem, diz que não comemora o aniversário porque é pobre, acha que terá entre 14 e 15 anos e a irmã 8. O negócio da família são as barracas de artesanato e roupa que existem na praia. Pelo que percebi, existe alguém que meteu toda a família na praia a vender os produtos que importa. Ninguém da família ganha dinheiro, esse alguém apenas os alimenta, mas eles têm que vender para justificar a comida que recebem. Susan e a irmã têm uma pequena lojinha de joalharia, uma pequena caixa que transportam e de turista a turista vão tentando convencê-los ou a comprar ou a leva-los à barraquinha de roupa.
Apaixonei-me pela Kirina, tem apenas 8 anos e é um prodígio. Aquela miúda em Portugal teria imenso sucesso na vida. A necessidade de vender para sobreviver e o facto de ter já crescido por entre turistas, levou-a a aprender muito bem o inglês e a saber como vender. É muito difícil dizer-lhe não. E é muito provavelmente a melhor vendedora da praia [ver video]. É extremamente inteligente e vai muito além do inglês básico e essencial para a sua sobrevivência, com ela conversei sobre imensas coisas. É difícil de acreditar que tem apenas 8 anos quando penso nas crianças que conheço da mesma idade. Vi-a apenas uma vez a agir, sorrir e brincar como uma criança de 8 anos. Provavelmente terá o mesmo destino que os mais velhos membros da sua família, gostava que entre tanta gente, encontra-se uma fada-madrinha que a tira-se daquele lugar e lhe desse um mais justo destino digno das suas capacidades.

Pelos lados de Anjuna, os dias são sempre iguais, com uma ou outra nova história que vai surgindo, mas basicamente acorda-se, vai-se para a praia, venera-se o por-do-sol e reúne-se após o jantar em um dos espaços de chill out para se conversar e tomar um chai. Tenho alguns casos engraçados que aconteceram, tive por exemplo um combate com uma vaca que me tentou roubar o almoço [ver video]. Não foi fácil, após o que se vê no vídeo, começou a marrar na espreguiçadeira e teve de vir alguém ajudar-me a afastá-la. Episódios semelhantes acontecem durante o dia com outros turistas, toda a praia ri quando tal acontece.
Também conheci um português, o único. Ouvi-o falar com alguém em espanhol acerca de uma convenção de malabaristas que iria acontecer no dia em que a lua iria estar mais cheia, e questionei-o em espanhol acerca dessa mesma convenção. Pouco depois percebemos que ambos eramos Portugueses.
Chama-se Tiago (ou Tiaguim), deixou tudo para trás e veio para a Índia. Antes trabalhava como gráfico de uma revista de surf e tem imensos contactos na área, viu o meu trabalho e motivou-me imenso a procurar apoios para futuras viagens, falou-me que me ajudaria com contactos e que acreditava que eu tinha trabalho para os conseguir. Deixou Portugal em Agosto e desde então que por aqui anda, de momento está a estudar yoga cá em Goa, faz algumas semanas. Através dele conheci a sua companheira, Natália da Bulgária e conheci também a Anouh, uma filha de pais Indianos que nasceu em Londres e que foi viver para Espanha.
O que temos todos em comum? Estivemos os 4 no Boom Festival em Portugal. Neste outro lado do Mundo, fui encontrar gente que esteve no mesmo lugar que eu à uns meses atrás – e ainda estaria por cá um outro português que é da organização desse festival.
Estaria a decorrer uma convenção de malabarismo em Arambol [ver fotografias], uma praia a alguns kms dali, de onde vos escrevo neste momento. A noite seria especial, noite de lua cheia na praia. Para lá fomos passar o dia, a praia era enorme, com imenso espaço e muitos poucos vendedores. Para se chegar à praia passava-se por milhentas lojas onde até placas escritas em russo existiam. Percebi pouco depois que abundavam por ali turistas russos. Fugindo a este foco turístico, chegamos a uma zona da praia quase deserta e sem indianos, a convenção de malabarismo estaria a decorrer em um espaço aberto, do outro lado de um pequeno rio que se atravessaria através de uma ponte de madeira. Lá dentro, só se encontravam estrangeiros, a ensinar, a aprender, a vender[ver fotografias]. Para quem já esteve no Boom Festival, aquilo era uma pequena amostra.
O final de tarde foi um momento mágico. De um lado, por detrás do mar, escondia-se o Sol, enquanto que do lado oposto, nascia imponentemente e vigorosa a Lua iluminando toda a praia e recortando coqueiros e palmeiras no cenário[ver fotografias] [ver video].
Como que em jeito de despedida do Sol e saudação à Lua, os presentes ora tocavam ora escutavam ora faziam acrobacias ora puro e simplesmente respiravam e viviam o momento.
Voltamos, sorridentes, para casa.

Clicar na fotografia abaixo para ver as restantes:

Homem e Vaca Sagrada - O frente a frente

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Vídeos:


Anjuna Beach from Hugo Lima on Vimeo.


Anjuna Beach from Hugo Lima on Vimeo.


Anjuna Beach from Hugo Lima on Vimeo.

Índia _ Anjuna Beach, um pequeno paraíso na Terra

Friday, January 9th, 2009

Anjuna Beach (Goa), 7 Janeiro 2009
Praia, por-do-sol : 18h30

Escrevo-vos da praia de Anjuna, muito conhecida pelos hippies que alberga e as festas. Tem agora mais fama do que realmente é, a ocupação pelos hippies foi por volta de 1970 e agora é mais uma zona turística com algumas festas e um grande mercado.
Vim para Anjuna para relaxar, antes de partir para o norte, para o Rajastão. E digo-vos, que não existe melhor lugar para o fazer. A praia, é um paraíso. Coqueiros atropelam-se para chegar à agua, cabanas desde uma ponta da baía à outra, muitos restaurantes com música trance, chill out, esplanadas, puffs, grandes peixes a serem grelhados, imensos europeus e americanos (5 caras brancas por cada uma indiana). A temperatura é quente, mas agradável, o sol não queima. Neste preciso momento, o sol pos-se, e o momento é vivido intensamente. Olho à minha volta: uma praia paradisíaca, uma brisa de final de tarde bem quente e relaxante, um mar calmo que vai e vem e por vezes me ultrapassa a espreguiçadeira, um pouco mais distante (pois eu mantenho-me distante) pessoas dançam na areia, outros fazem uma espécie de veneração ao lindíssimo por-do-sol, começam a ser acendidas velas pela praia e alguns balões de fogo são lançados no ar. Para quem já viu o filme “A Praia”, é uma visão muito similar [ver video] [ver fotografias]. Mais que pelos hippies, Anjuna é conhecida pelo seu mercado semanal. Gentes de vários pontos da Índia e não só, fazem um enormíssimo mercado com uma enorme variedade de coisas. Tudo se vende. Além de indianos a vender, vi também europeus, nepalenses, japoneses e coreanos, hippies e mulheres tribais de Lamani, viajantes de todo mundo, tibetanos e mercadores de Caxemira, talvez ainda mais asiáticos de outras nacionalidades. Quem vem a Goa, tem que incluír este mercado na sua experiência. Além de sumos naturais, nada comprei, mesmo apesar de ser abordado de minuto em minuto para o fazer. Mas percorri todo o mercado, e vontade não me faltou, mas não me posso esquecer que ainda tenho um longo caminho a percorrer, não posso encher a mochila, e acredito que no Rajastão vá encontrar melhor por melhores preços.
Fiz uma amiga, chama-se Susan [ver fotografias]. Ontem passou o dia inteiro a querer levar-me à sua loja e hoje tentou o mesmo mas logo depois acabou desistindo. Terá ganho algum interesse por mim, quando não tinha clientes vinha-se sentar comigo, fazia-me perguntas e ainda me pediu para lhe pagar uma omolete e um chai. Começou por pedir a mais cara, eu lá fui negociando com ela e consegui que ela aceitasse a mais barata, 60 centimos (a comida não é muito barata em Anjuna).
Susan é de Hampi, de um estado aqui ao lado de Goa, Karnataka. Está com o pai, a irmã e marido da irmã. O pai tem uma loja na praia de roupa e ela tem a sua pequena lojinha de joalharia. Deverá ter uns 14 anos e usa a pinta vermelha na testa, perguntei-lhe se era casada – ela respondeu-me que só usava por ser fashion. Fiz-lhe alguns retratos e amanhã deverei voltar a tê-la como companhia.
Na praia, por entre os turistas, várias vacas ou gnus, os mais raros indianos a tentar ganhar dinheiro ora a dançar, ou pela forma como se vestem, ora a fazer acrobacias com um gnu ou a tocarem flauta. Não conheci nenhum branco pois estou propositadamente um pouco à parte e só, limito-me a viver e a observar, mas ainda houve alguns que me perguntaram de onde vinha, por quanto tempo ficava, não me cativaram as raves e os convites, embora vos diga que 80% das mulheres estrangeiras aqui presentes são lindíssimas… e cativam. Em muitas é bem visível que já cá estão faz muito tempo, vestem-se de forma tribal, estão muito morenas e embora magras, aparentam todas serem muito saudáveis. É dos ares, e da falta de stress, e o mar e praia fazem bem. Praia, uma cabana, peixe grelhado e sumos naturais, o que é preciso mais?

Clicar na fotografia abaixo para ver as restantes:

Praia de Anjuna

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Vídeos do dia:


Primeiros minutos na praia de Anjuna from Hugo Lima on Vimeo.


Anjuna Beach à noite from Hugo Lima on Vimeo.


Anjuna Beach from Hugo Lima on Vimeo.


Bicharada da minha janela from Hugo Lima on Vimeo.