Algures entre Mumbai e Goa, 6 de Janeiro 2009
Comboio Mumbai > Margão : 2h
Estou em viagem para Goa, e neste momento em que vos escrevo estas palavras, tento fotografar um pequeno rato que tem vindo visitar este compartimento. Estou em classe Sleeper. Uma espécie de segunda classe com direito a camas. Em cada compartimento, 6 camas, 3 em cada parede. Caso a cama do meio esteja a ser usada, ninguém poderá ir sentado.
Hoje de manhã, deixei a casa de Wasseem com a mochila de campismo e uma outra mochila. Ponderei ir de taxi para Colaba, mas decidi arriscar o comboio. Na estação, perguntei se estaría em hora de ponta, se a carruagem estaria cheia ou se não haveria problema e mesmo apesar de ter uma mochila grande, poderia ir na segunda classe. Disseram-me que não haveria problema, “go go relax”.
E assim o fiz, paguei os 9 centimos e fui para a plataforma. A quantidade de pessoas que aguardava pelo comboio não era nada confortante, e muito menos o foi quando o comboio chegou e vinham dezenas de pessoas penduradas do lado de fora em cada uma das carruagens! Foi um salve-se quem puder, com a experiências das anteriores viagens, meti-me à frente, empurrei empurrei, furava as pessoas, e mesmo com as mochilas, consegui entrar no comboio e não ter de ir pendurado. Quem estava por perto não deveria achar piada à quantidade de espaço que as minhas mochilas ocupavam enquanto que iam pessoas do lado de fora do comboio. Mesmo assim, alguém num dos bancos me ofereceu o lugar dele, em troca de muita conversa e fotografias com ele [ver video].
Passei várias horas da tarde a comprar o bilhete para Goa, fui interpelado por um suposto agente da estação que me ajudaria a confirmar quais os bilhetes disponíveis. Falou-me que estava tudo esgotado e que só dois dias depois teria bilhete. Levou-me a um escritório fora da estação e disse-me que ali teriam bilhetes de emergência para turistas, embora mais caros, fala-me primeiro em cerca de 4 Eur, depois desce para 3 Eur, disse-lhe que não pagaria mais que 1,5 Eur. Liguei para o Nenden e ele disse-me para eu saír dali, que era uma forma de sacar dinheiro aos turistas. Voltei à estação e encontrei uma bilheteira onde estavam vários estrangeiros [ver fotografias]. Pergunto-lhe pelo resto das pessoas, digo-lhe que tive que aguardar uma cama e quase para não ir pois o comboio supostamente estava cheio, ele responde-me, “This is India”.
O comboio é em ferro, as camas são em ferro, no tecto duas grandes ventoínhas servem para manter o compartimento fresco e ao mesmo tempo, arejar para que não síntamos os pestilentos odores que vêm dos wc e de algumas pessoas [ver video].
Digo ao meu companheiro de viagem que acabei de ver um rato, ele responde-me: “Relax, Sit Sit, you will see many more”.
Deixo para trás Mumbai e deixo-vos uma descrição que vi em um livro do que Mumbai é:
“Measure out: one parte Hollywood; six parts traffic; a bunch of rich power-moguls; stir in half a dozen colonial relics (use big ones); pour in six heaped cups of poverty; add a smattering of swish bars and restaurants (don’t skimp on quality here for best results); equal parts of mayhem and order; as many ancient bazaars as you have lying around; a handful of Hinduism; a dash of Islam; fold in your mixture with equal parts India; throw it all in a blender on high (adding generouss helpings of pollution to taste) and presto: Mumbai”
Clicar na fotografia abaixo para ver as restantes:
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Vídeos do dia:
De casa até à estação de Bandra from Hugo Lima on Vimeo.
Comboio sandwich de Bandra até Mumbai from Hugo Lima on Vimeo.
Comboio de Mumbai a Goa from Hugo Lima on Vimeo.
Goa – De thivim a Mapusa, de Mapusa a Anjuna from Hugo Lima on Vimeo.

Namasté, Portugal!