Mumbai, 13 de Janeiro 2009
Sala de espera na estação de Chatrapati Shiragi : 6h00
Quando acho que não poderia viver mais louca situação, eis que sou surpreendido. E o dia de hoje foi cheio de surpresas.
Deixei Anjuna, começava-me a habituar a tão fácil vida, já só estava a pagar 100 rupias pela casa (1,5 Eur), havia criado amizades no restaurante da frente onde passava os dias no chill out da varanda para o mar a beber sumos de fruta e a comer peixes grelhados e saladas saudáveis, à noite eram as tertúlias à luz das velas frente ao mar. No próximo ano, quero voltar, espero que continuem todos bem. A época não lhes foi favorável, têm 3 meses de trabalho onde juntam economias para o ano inteiro, e os ataques bombistas em Mumbai afectou imenso o turismo pelo que estão todos preocupados em como fazer para subsistirem.
Esperei em Anjuna até duas horas antes de apanhar o comboio e depois lá fui para a paragem do bus.
- Viagem Louca Indiana parte I:
Param dois autocarros ao mesmo tempo na paragem vindo de sítios diferentes mas indo para o mesmo sítio (Mapusa). Ia para entrar no primeiro que estava cheio quando surge o outro, que estava praticamente vazio. Desse outro, alguém gritava MAPUSA MAPUSA MAPUSA, o autocarro não terá estado mais que 10 segundos parado e eu lá entrei já com ele em andamento. Tentem visualizar o que de seguida vos conto: dois homens dentro do autocarro a gritar MAPUSA MAPUSA para a rua enquanto que o motorista, a alta velocidade, apitava como se o fim do mundo estivesse próximo e o autocarro dele estivesse a fugir. Eu já não conseguia parar de me rir, creio que terá havido um indiano ou outro que me percebeu. O autocarro terá estado mais tempo em contra-mão que na sua via, é incrível a forma como eles se esquivam em momentos tão precisos e a milímetros de terem um acidente. Continuo sem acreditar que ainda não vi um único acidente, mas talvez seja como o motorista do taxi de Arambol me falou quando lhe perguntei porque não vejo acidentes – “They exist, if you don’t seem them, it’s because you bring good luck with you”.
Após aquela corrida a alta-velocidade onde o autocarro parecia querer bater algum recorde de tempo e ao mesmo tempo de ocupantes recolhidos da rua à força, o autocarro faz uma paragem. Uma paragem de meia hora…! Fiquei sem perceber o porquê de toda aquela velocidade mas… ok, estou na Índia.
Com essa paragem arrisquei o comboi, e isso não podia de forma alguma acontecer pelo que fui de taxi assim que saí em Mapusa. Existem os taxi-carro, os rickshaw que são umas motas de 3 rodas e existem as motas. Surge-me um homem de mota que me pergunta para onde vou, digo-lhe que quero ir para Thivim, e sem pensar, aceito e subo para a mota. Não me ocorreu o medo que eu tenho a motas nem tão pouco o facto de estar com duas mochilas.
- Viagem Louca Indiana parte II:
Hora de ponta, trânsito louco, autocarros motas carros pessoas, tudo misturado, o taxista esguio tenta o mais rápido possível chegar ao seu destino, quase sempre em contra-mão e a desviar-se sempre quando eu achava que iamos bater e já não conseguíamos margem para a manobra. O homenzinho não terá quase nunca respirado de tanto que o apertei para me segurar. Chegamos a tempo de apanhar o comboio!
- Viagem Louca Indiana parte III:
O início desta minha viagem de comboio foi a continuação de uma loucura nunca antes vivida. Comprei o bilhete com 2 dias de antecedência e no entanto estava em lista de espera para conseguir um lugar, era o 167 passageiro em espera sem sítio no comboio onde poder estar. Entrei no comboio e sentei-me num lugar e esperei que tudo fica-se mais calmo para de seguida ir procurar o revisor e lhe expor a minha situação. Em frente ao lugar onde me sentei, estava um simpático casal que me ajudou imenso nesta aventura. A senhora era Goesa e sabia ainda algumas palavras em Português que havia aprendido na escola, o seu avô falava português. O marido deu-me a dica: “Vais ter com o revisor e vais suborna-lo, vais-lhe dizer que precisas muito de um lugar e dás-lhe 30 rupias”. Eu, que já havia visto de tudo ou quase, já nem estranhei e lá fui eu ter com o senhor. Até eu me conseguir entender com o homem, percorri a parte do norte do comboio desde o senhor que me dava as dicas, ao revisor, umas 5 vezes. Infelizmente não resultou, pois estava mesmo cheio e ele não podia fazer nada. O senhora das dicas diz-me para ir então à classe seguinte do comboio procurar o revisor dessa área. E eu fui. Entre uma classe e outra existe uma cozinha, e vocês não imaginam a confusão e caos que é atravessar essa carruagem. Dezenas de homens correm de um lado para o outro desenfreadamente, eu parei e comecei a rir ao observar aquela loucura, não consegui deixar de o fazer. Gritavam para todo o lado, tropeçavam, da cozinha vinha uma intensa mistura de odores e vapores quentes, o corredor da carruagem estava inundado de caixas e de refeições, mais tarde quando acalmou voltei para filmar. Entre o revisor da classe seguinte e o senhora das dicas, haveriam umas 5 carruagens. Até me conseguir entender com o revisor, atravessei e voltei ao mesmo umas 5 vezes, o atravessar a carruagem-cozinha era sem dúvida a parte mais complicada. Por vezes aproveitava o comboio parar para saír e correr sem ter que atravessar as carruagens. Haviam já indianos que se riam de tantas vezes que me viam a passar no mesmo sítio e eu igualmente já não podia deixar de me rir com a situação. Finalmente lá me entendi com o revisor e lhe paguei uns 8 eur pelo bilhete. 12,5 Eur no total que me ficou o bilhete de Goa para Mumbai, uma viagem de 12 horas. Muito dinheiro para as viagens low cost que ando a fazer! Mas não havia solução, só havia lugar nas classes de luxo. Finalmente encontrei o meu lugar e sentei-me, estava em um compartimento com uma família. Dormi as 12 horas… estava cansado de tanta aventura.
Amostra de louca viagem de Goa a Mumbai from Hugo Lima on Vimeo.
Pois…ah e tal e coiso…gostamos todos muito… mas toca a escrever os outros dias todos em vez de ficares a ver filmes enrolado em cobertores, que a malta anda a seguir a novela e depois perde-se!! =P
Ainda eu me canso com o transito na boavista
Continuação de boa sorte amigo
Meu caro amigo caveman!
Só hoje por um mero acaso fui ao meu hi5 (e no meio de tanta mensagem do tipo daquelas que nunca costumo ler…) vi uma mensagem tua (que por sinal me despertou a curiosidade e li…) e que me pôs a par destes teus novos projectos e viagens. Não tendo eu notícias tuas há já muito tempo, aproveito para dizer que fico duplamente contente. Duplamente porque em primeiro lugar tenho notícias tuas, e segundo porque serão boas concerteza uma que estás de alma e coração a fazer aquilo que realmente gostas…
Desde já faço votos para que tenhas muita sorte nos teus e projectos e aspirações, e que os continues a documentar tão bem como até aqui tens feito.
Um abraço,
Bailarino (capoeira)
peço desculpa pela invansao, mas nao resisti em comentar o excelente trabalho fotografico. vi fotografias no contagiarte, e por curiosidade vim aqui parar…
parabens…:)
namastê*,
marta
Ai que saudades desses dias vertiginosos!
Boa sorte para a Exposição!
Bruno
heyyy… epah que inveja… tb quero ir a india :S
estou a ver q a viagem está a ser potente…
mas alem disso… as fotos da india estao mto loucas… e as dos concertos, ui. tambem!!!
bom trabalho…
joaorobalo.com
Belo post, um dos melhores que li nas ultimas semanas. Ganhou mais uma leitora!!!
Comé meu puto, granda maluco.
Desejo-te muita sorte e pós mágicos nas tuas aventuras.
Quando voltas?
Como estão a correr as coisas?
Abraço forte, fica com os deuses.
Peço desculpa “invadir” o teu blog mas está fantástico, vou á índia em Março e depois de ler isto tudo fiquei muito mais motivada. Tinha uma ideia diferente do que é a índia, tenho procurado informações, falado com algumas pessoas e agora tenho uma ideia totalmente diferente.
Vou tornar-me um leitora assídua!
Já ia um chai….!!!
Parabéns Hugo.