CARTA ENVIADA A 15 DE JANEIRO DE 2009 – aos contactos amigos que tinha organizados, não a todos os que gostaria.
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Meus amigos,
Um dia descobri que existia algo mais para além do que eu conhecia no lugar onde cresci, a Trofa. Lembro-me desse dia. Continuo a descobrir e desde então não parei.
Já Pessoa falava da felicidade enquanto ignorante versus felicidade enquanto explorador. Posso declarar que sou uma pessoa feliz, mas não sou uma pessoa satisfeita e conformada, e receio nunca o vir a ser.
Vivi em um mundo pequeno, no qual era feliz com aquilo que tinha e conhecia. Não tinha um vazio, sentia-me preenchido. Um dia vi uma ponta de um cordel de conhecimento que me levou para lá das fronteiras desse mundo, agarrei o cordel e comecei a percorre-lo, iniciei uma viagem sem retorno. Na altura, desconhecia que este cordel que me foi destinado só tivesse uma ponta, pelo menos para que seja descoberta em uma só vida (de onde vos escrevo, crê-se na reencarnação: talvez se eu a este lugar pertence-se acredita-se que daqui a muitas vidas essa ponta surgiria).
Felizes dos ignorantes, que vivem com o que conhecem e não procuram por mais. A minha sede pelo conhecimento leva-me a percorrer diariamente por mais e mais, e quanto mais descubro, mais desejo e maior esse mundo se torna. Sou feliz, mas não me sentirei completo enquanto souber que existe algo mais para além do que conheço. Sentir-me completo… uma utopia?
Pelo caminho que percorri, conheci imensas pessoas, umas continuam no lugar onde as encontrei, outras iniciaram um novo caminho e outras acompanham-me neste presente. Neste meu presente, o meu tempo consome-se rapidamente, e recordo-me do dia que isto tudo começou como se fosse faz pouco tempo, muito menos que os já quase 8 anos passados. 8 anos…! e no entanto, sinto que esta aventura ainda está a começar. No percorrer da aventura e com o constante ritmo de actividade em que me encontro, tornei-me, para alguns, em uma pessoa ausente. Para alguns desses alguns, uma pessoa ausente cuja ausência não compreendem nem é justificada. É principalmente por isso que hoje escrevo, para aqueles que por ele esperam, um pedido de desculpa, por favor aceitem-no, de alguém ausente mas que ninguém esqueceu e que a todos na sua vida mantém presente, um por um. Perdoem-me igualmente a ausência aos cafés / jantares / aniversários / momentos importantes da vossa vida. Acreditem em mim, em todos eles desejei imenso estar presente… palavra de amigo.
Aos meus amigos da Trofa que comigo cresceram e são sempre os primeiros lembrados; aos meus amigos da capoeira e do Porto onde a ponta do cordel encontrei, do Mindelo onde também cresci e faseadamente me ausentei e a importantes momentos faltei; das mil andanças; aos companheiros do malabarismo onde alguns deles acompanham-me no caminho e se encontram espalhados por diversos lugares deste planeta a percorrer sonhos, aos meus amigos deste último presente que diariamente comigo se cruzam, perdoem-me as falhas e ausência, recordo de todos vocês e mantenho-vos presentes na minha vida, um a um.
Onde estou, tenho tempo para reflexões e introspecções.
Envio-vos este email a partir de Pushkar, no estado do Rajastão – Índia, escrevi-vos durante uma das minhas viagens durante a qual fiz este vídeo que retrata um grão no deserto da loucura que por aqui se vive, vejam-no -> http://www.vimeo.com/2826569 (encontram a história do vídeo no blog que refiro mais à frente, assim que o actualizar).
Parti para a Índia faz algumas semanas para percorrer um sonho. Desde que me apaixonei pela fotografia que sempre desejei documentar diferentes culturas, tradições e costumes. Parti sozinho, para um pequeno grande Mundo desconhecido e comigo levei na bagagem uma grande expectativa. Estou aqui para receber o que o destino tiver para me dar, não planeei absolutamente nada, já vou em cerca de 3000km feitos por este sub-continente e os momentos têm surgido e acontecido.
Eu por aqui ando, receptivo e expectante. Viajarei de lugar em lugar e ficarei o tempo que achar necessário para conhecer e absorver cada um deles. Espero fazer um bom trabalho e espero conseguir dar-lhe o proveito e visibilidade merecida. Desejo colher muitos frutos e que isto apenas signifique um começo de algo que tomará proporções maiores e me levará a muitos outros lugares que me são desconhecidos.
Criei um blog, diário de viagem, com o tempo livre que vou tendo durante as viagens, vou escrevendo no meu caderninho e sempre que encontro internet, vou lá e publico. Coloco também fotografias e vídeos. Se quiserem acompanhar, e gostaria que o fizessem, www.hugolima.com
Logo no início do site está o link para o blog.
Desejo-vos boa sorte, desejem-me a mim também, sorte para este pequeno sonho que começa a ganhar vida.
“…o homem sonha, a obra nasce.”
Namaste!
Hugo Lima







